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Um milhão de pessoas estão ‘à beira da fome’ no Sudão do Sul; ONU declara ‘estado de fome’



As Nações Unidas informaram que mais de 100 mil pessoas estão sofrendo com a fome no Sudão do Sul e que cerca de 1 milhão está à beira da insegurança alimentar no país. Agências da ONU alertaram ainda que, se nada for feito, número total de pessoas nessa situação deverá aumentar para 5,5 milhões.
Deslocados internos nos estado de Unity, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR
Deslocados internos nos estado de Unity, no Sudão do Sul. Foto: ACNUR
A ONU informou nesta segunda-feira (20) que mais de 100 mil pessoas estão sofrendo de fome no Sudão do Sul e que cerca de 1 milhão está à beira da insegurança alimentar no país.
“A fome tornou-se uma realidade trágica em partes do Sudão do Sul, e os nossos piores temores foram realizados”, disse o representante da FAO no país, Serge Tissot, em comunicado à imprensa emitido em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).
“Muitas famílias têm esgotado todos os meios que têm para sobreviver”, acrescentou, explicando que essas pessoas são na maioria agricultores que perderam seu gado e até mesmo suas ferramentas agrícolas.
A situação é a pior catástrofe de fome desde que os combates estouraram, há mais de 3 anos, entre as forças rivais – o Exército Popular de Libertação do Sudão (SPLA); as partes leais ao presidente Salva Kiir; e o Exército de Libertação do Povo do Sudão em Oposição (SPLA-IO).
De acordo com a FAO, o UNICEF e o PMA, 4,9 milhões de pessoas – mais de 40% da população do Sudão do Sul – precisam de assistência urgente de alimentos e necessitam de ajuda para cultivar plantas.
As organizações alertaram que, se nada for feito para evitar que a crise se propaga, o número total de pessoas com insegurança alimentar no país deverá aumentar para 5,5 milhões no auge da estação magra.
“Atualmente, estima-se que mais de um milhão de crianças sofram de desnutrição aguda em todo o Sudão do Sul. Mais de um quarto de milhão de crianças já estão gravemente desnutridas. Se não chegarmos a essas crianças com ajuda emergencial, muitas delas morrerão”, disse o representante do UNICEF no país, Jeremy Hopkins.

Uganda recebe milhares de refugiados do Sudão do Sul

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) anunciou na semana passada que mais de 1,5 milhão de pessoas foram forçadas a se deslocar do Sudão do Sul para buscar segurança desde que o conflito eclodiu em dezembro de 2013.
A maior parte dos refugiados tem sido acolhida pela Uganda, onde cerca de 698 mil chegaram recentemente.
Sidah Hawa e seus filhos fugiram do conflito no Sudão do Sul e agora estão em segurança em Uganda depois de viajarem por dois dias. Foto: ACNUR / Michele Sibiloni
Sidah Hawa e seus filhos fugiram do conflito no Sudão do Sul e agora estão em segurança em Uganda depois de viajarem por dois dias. Foto: ACNUR / Michele Sibiloni
Milhares de pessoas têm feito grandes desvios a pé para escapar do Sudão do Sul, indo em direção à República Democrática do Congo e em seguida entrando em Uganda pela parte leste, temendo ataques de grupos armados presentes nas rotas mais diretas. Alguns relatam terem caminhado por mais de um mês até finalmente encontrem segurança.
Desde 2016, 6 mil refugiados sul-sudaneses chegaram a Uganda pela rota da RD Congo.
“Mais de 60% dos refugiados são crianças, muitos chegam em condições alarmantes de desnutrição. Recém-chegados relatam sofrimento dentro do Sudão do Sul com os intensos combates, sequestros, estupro, temores de grupos armados e ameaças à vida, bem como a escassez de alimentos”, afirmou o porta-voz do ACNUR, Willian Spindler, apelando por mais assistência.
“Está é uma emergência implacável, de grandes proporções e que tem feito cerca de 2 mil refugiados chegarem à Uganda a cada dia. Nossa prioridade é salvar vidas e garantir que as necessidades básicas dos recém-chegados sejam atendidas o mais rápido possível”, acrescentou o coordenador sênior de operações de emergência do ACNUR, Nasir Fernandes.
Para lidar com o crescente afluxo, os recém-chegados estão sendo levados para um centro de recepção temporário em Kuluba, onde os refugiados são registrados pelo governo assim que chegam.
Enquanto esperam para ser transferidos ao assentamento de Palorinya, eles recebem colchões, cobertores, materiais de higiene, e as crianças são imunizadas contra o sarampo e poliomielite.
Uganda é amplamente reconhecida por suas políticas de refúgio progressivas e inovadoras. Ao receber o status de refugiado, as pessoas ganham pequenos lotes de terra em aldeias integradas à comunidade local de acolhimento – uma estratégia pioneira que intensifica as relações sociais e oferece tanto aos refugiados quanto à comunidade anfitriã a possibilidade de uma convivência pacífica.
O procedimento de receber refugiados nas fronteiras e acomodá-los em assentamentos leva em média três dias. Além disso, os refugiados recebem uma série de direitos e liberdades, permitindo-lhes trabalhar, iniciar negócios e circular livremente pelo país.
Segundo o ACNUR, além da Uganda, a Etiópia também está abrigando cerca de 342 mil sul-sudaneses, enquanto mais de 305 mil estão no Sudão, 89 mil no Quênia, 68 mil na República Democrática do Congo e 4.900 na República Centro-Africana.

Mais de 20 mil deslocados em ‘paradeiro desconhecido’ no Sudão do Sul

O chefe da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), David Shearer, manifestou na semana passada (16) preocupação com os cerca de 20 mil deslocados internos com paradeiro desconhecido no Sudão do Sul.
Em comunicado à imprensa, Shearer, considerou “um real problema” a falta de informações sobre a situação do grupo da margem ocidental do rio Nilo, no norte do país.
“Queremos descobrir o que aconteceu com essas pessoas e dar a assistência de que elas precisam”, disse Shearer, após fazer a sua primeira viagem à cidade de Malakal como chefe da Missão.
A UNMISS acredita que o grupo tenha fugido para Kodok a partir de Wau Shilluk, uma cidade situada a mais de 12 km da base da ONU em Malakal, na margem oeste do rio Nilo.
Na quinta-feira passada (15), tropas de paz da ONU tentaram realizar uma patrulha a pé até Wau Shilluk, mas foram impedidas por soldados do SPLA localizados na região, uma situação que Shearer descreveu como “muito frustrante”.
Os combates entre as forças do SPLA do governo e as da oposição criaram mais deslocamentos porque se estenderam pela margem oriental na semana passada. Segundo a Missão, os confrontos “não mostram sinais de diminuir”.
Publicado em ONU Brasil





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