segunda-feira, 14 de abril de 2014

Nas trilhas de Quixadá (CE) - por Wilton Matos



Chegar a Quixadá é sempre um espetáculo para os olhos. Uma paisagem singular que emerge do solo árido do Sertão Central. Meu destino é o Hotel Fazenda Pedra dos Ventos, cravado num monólito e envolto de uma caatinga preservada há pelo menos 12 anos. Minha missão oficial por aqui é a trabalho, o que não impede os compromissos com a natureza.

Sem tempo nem para desfazer as malas já subo na trilha do Mirante. Logo na entrada percebe-se que as poucas chuvas desse ano foram suficientes para brotar, praticamente da pedra, uma paisagem exuberante. As plantas xerófilas têm muito a nos ensinar sobre o uso sustentável da água.

Em meados de abril, sabiá, mofumbo, jurema-branca e o pau-branco é quem ornamenta com flores coloridas e perfuma com deliciosas fragrâncias toda a mata. Angico, imburana, umbuzeiro, mandacaru e cajá se empenham para alimentar a fauna, inclusive quem escreve esse texto.

Não vi pau-d’arco florado para atirar com as macambiras-de-flecha. Bromélias colonizadoras de terrenos pedregosos mostram estendidas as flexas prontas para atirar as sementes por todos os lados.

Quem está começando a frutificar é o peão-bravo e a burra-leiteira. O peão é um espetáculo de elasticidade e resistência na busca de um lugar ao sol. É um excelente colonizador para começar uma agrofloresta do nada. Sem matéria orgânica e sem água, ainda assim ele enfrenta e supera as dificuldades. Fiquei fã da sua resistência e perseverança de transformar esse sertão esturricado pela maldade do homem em florestas densas.

Para brindar a trilha uma visão estupenda do mirante. Lá longe o Sertão Central e aqui perto uma tijubina ciscando entre as folhas. O meu domingo está salvo. Agora salvemos a mata branca do fogo do homem.

Flora e Fauna - alguns exemplares:


 








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