quinta-feira, 27 de março de 2014

Ato Unificado: DITADURA NUNCA MAIS! NEM MILITAR, NEM CIVIL, NEM DE ESTADO, NEM DE MERCADO - 31 de Março de 2014 - Fortaleza (CE)



50 anos da Ditadura Militar. Tantas lutas, tantos mortos, desaparecidos, torturados, colocados na clandestinidade, exilados, perseguidos, censurados... 46 anos do assassinato de Edson Luis (28.03.68). E o que mudou? Através da transição transada via Colégio eleitoral (1985), os militares deixaram o poder. Mas o seu projeto de modernização capitalista continuou, agora sob a roupagem democrática. A democracia pela qual se lutou deu na barbárie. Os responsáveis pelas atrocidades ficaram impunes e as Comissões da Verdade são impotentes para puni-los. E hoje, muitos dos que lutaram contra a ditadura levam adiante, dentro ou fora do governo, as idéias e a prática de modernização, progresso e desenvolvimento dentro da mesma lógica capitalista.

Essa modernização recuperadora e seus sistemas fracassaram. Defrontaram-se com seus limites, acarretando uma crise sem precedentes na história do capitalismo. Diante dessa crise, considerada por alguns o próprio colapso do sistema, os governantes não têm resposta, a não ser restrição de direitos, demagogia, repressão e investimentos em favor do capital. Mas Copa do Mundo, BRICS, megaeventos, grandes empreendimentos, eleições, não vão resolver o problema. Apenas dão uma sobrevida a essa lógica mercantil destrutiva e insana que tudo sacrifica no altar das mercadorias e do dinheiro. É a ditadura do mercado e do capital que resulta no ECOCÍDIO - destruição da natureza e da vida, acarretando catástrofes ambientais, pondo em risco todo o planeta terra, no GENOCÍDIO – violência, extermínio de populações, tragédias humanas e sociais -, caos urbano, corrupção, falência dos serviços públicos, destruição do patrimônio histórico, desumanização acentuada dos seres humanos, barbárie. Amarildos e Cláudias que o digam.

E ainda, expressões disso são as ações e projetos dos governos municipal, estadual e federal pondo em causa o Parque do Cocó, Jericoacoara e outras áreas e ameaçando de destruição a Praça Portugal e árvores do entorno para favorecer o império do carro e o mercado imobiliário; os grandes empreendimentos (Aquário, Ponte Estaiada, VLT, etc.) que prejudicam a população; os despejos forçados (Acampamento Cocó, Alto da Paz, Comunidade do Cumbe) e remoções de famílias, comunidades, tudo isso em nome do capital e usando a violência do Estado; tratamento desumano e assassinatos de moradores da periferia, justificados pelos “autos de resistência”; o extermínio da juventude, principalmente pobre e negra; o aumento da violência, assaltos, tráfico de drogas, estimulados pela própria lógica do sistema que dissemina a ideia do TER/CONSUMO em detrimento do SER/VIDA; agravamento da situação no interior, com escassez e falta d'água em função da seca e privatização da água; recrudescimento do machismo e patriarcalismo, do racismo, da homofobia; criminalização e assassinatos impunes de lutadores(as) a exemplo de Carlinhos e Zé Maria do Tomé; perseguição aos povos indígenas, suas terras e sua cultura em prol do agronegócio e de grandes obras (Belo Monte, etc.).

Por outro lado, a resposta às lutas e manifestações populares tem sido a repressão violenta, a criminalização e humilhação contra manifestantes. A Polícia Militar, cuja estrutura fortalecida na Ditadura permanece até hoje, é levada a tratar os movimentos sociais como “inimigos internos”. Nesse sentido, o governo faz grandes investimentos na repressão (armamentos, aumento do contingente militar, etc.) e tenta impor uma legislação em certos aspectos semelhante à Ditadura para intimidar e tentar conter os manifestantes. E tem a mídia que manipula e usa dois pesos e duas medidas para abordar os conflitos e suas consequências.

E agora? Retorno à ditadura é reeditar o fascismo. Ficar como está já não dá mais. Nem o passado como era nem o presente como está.

Mais do que nunca é fundamental desenvolvermos uma profunda crítica à lógica do sistema capitalista na perspectiva de suplantá-la e construir uma alternativa. E essa crítica já começa a ganhar corpo. Para isso é decisivo dimensionarmos que, se dentro dessa lógica não tem saída, nós temos que caminhar no sentido de rompermos com ela, de nos recusarmos a lhe dar sustentação, seja pelo mercado, seja pelo estado. Se essa lógica está nos desumanizando temos que quebrar a sujeição a ela e realizarmos uma nova humanização, nos constituindo efetivamente como seres humanos conscientes e livres para dela nos libertarmos. Temos que focar o gume da nossa luta no alvo preciso do sistema e suas catástrofes. Somente assim a luta dos(as) que foram presos, torturados, perseguidos, assassinados, desaparecidos, censurados, exilados... não foi em vão.

TODOS (AS) À PRAÇA DO FERREIRA
DIA 31 DE MARÇO – 15 HORAS


Apoiam o ato unificado:
Rede Jubileu Sul, CEDECA, #OcupeOCocó, Crítica Radical, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST, Movimento dos Conselhos Populares – MCP/ Raízes da Praia, MCP/Palmeiras, União das Mulheres Cearenses – UMC, Casa Chiquinha Gonzaga, Comitê pela Desmilitarização da Polícia, Comunidade ALTO DA PAZ, Unidade Classista de luta por moradia, Unidade Classista dos movimentos sindicais, Comunidade Lauro Vieira Chaves, +Pão-Circo, MCP-Planalto do Pici, Caravana da Periferia, Associação dos Funcionários do BNB – AFBNB, SINDIFORT, SINDIÁGUA, Intersindical, Sindicato dos previdenciários do Ceará Sinprece, RUA-Juventudes anticapitalistas, APROCE, Comunidades Eclesiais de Base – CEBs / Pastorais Sociais da Arquidiocese de Fortaleza, Pastoral Carcerária do Ceará, Instituto TERRAMAR, Amadeu Arrais (parlamentar cassado em 64), Nildes Alencar (Ex- presidente do Movimento Feminino pela Anistia), Ademir Costa (Movimento Pró-Parque), Pe. Manfredo Oliveira, Pe. Almir Magalhães, Maria Luiza Fontenele (Ex-Prefeita de Fortaleza), Marcelo Marques (Prof. IFCE), Onidraci R. Soares do Rosário (IFCE), Luciano de A. Filgueiras Filho/ Fco. Gonçalves Vieira/ Valmir Braga/ Ana Mª Parente Viana (diretores do SINTSEF), Janete Melo (Comitê Permanente em Apoio à Causa Indígena), Wilton Matos (Agroflorestar), Érica Pontes (geógrafa e Agroflorestar), Sindicato Estadual dos Aeroviários (SINDAERO), Sindicato dos Jornalistas (SINDJORCE), Associação dos Servidores Municipais de Canindé (ASPMC), Oposição do Sindicato dos Servidores de Canindé, Associação dos Servidores do IJF, Sindicato dos Trabalhadores da Emlurb – Sindilurb, Movimento Livre, Associação pelo Desenvolvimento Social e Cidadania do Planalto Pici e Adjacências (Adepe), Associação dos Servidores do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), Associação dos Auditores do Estado do Ceará – Auditece, Instituto Ambiental Viramundo; CDVHS – Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza; Rede Delis; Adeliani Almeida Campos (Profª UFC).


Compartilhado por Rosa da Fonseca



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