quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Presidente do Brasil, Dilma Rousseff : Salvem os jovens Iny (Karajá e Javaé) do suicídio.


Narubia Werreria faz carta aberta sobre o suicídio de jovens de seu povo. Em formato de abaixo-assinado para a presidente Dilma Rousssef:



"Pensar sobre o suicídio que vem acontecendo em meio ao nosso povo me deixa paralisada, falar e não encontrar as lágrimas no rosto, parece impossível. Não sei se saberei descrever nossa dor, nem o quanto esses últimos anos estão sendo aterradores para nós. Queria manchar essa tela de sangue, talvez o nosso sangue clame mais por socorro que minhas palavras!

Só neste ano foram dois jovens que se suicidaram. Sábado, dia 01 de fevereiro de 2014, perdemos outra vida. Aceitar a morte não é facil, aceitar a morte de jovens com menos de 25 anos, que se matam um após o outro é algo quase inaceitável.

Meu povo Iny (Karajá e Javaé) da Ilha do Bananal - TO, tem uma população de 6 mil pessoas, somos um povo alegre, somos o povo do fundo da água e a nossa morada é na Ilha, a maior Ilha fluvial do mundo. Já fomos fortes e com muito orgulho de sermos quem somos, hoje resta o orgulho do passado. Hoje nosso olhar por mais alegre que é e tenha sido, transparece a tristeza e a nossa dor parece não ter fim.

Nosso visão do futuro é desesperadora e apesar dos inúmeros Seminários e encontros feitos, das pesquisas e pedidos de ajuda que expomos, os órgãos competentes nada fizeram de REAL E EFICAZ para sarar nosso povo, estamos cansados de reunião que não produz, cansados de gastar tanto sol, sem nada iluminar.

Nós não temos mais segurança, o acoolismo, drogas e protituição invadiram nossas aldeias, o atendimento básico a saúde e educação são precários, a assistência em saúde mental não consegue cuidar dos atuais transtornos de nossos jovens e nós não sabemos lidar com esses problemas que vieram com a sociedade não nativa (não indígena).

Tenho esperança que nosso povo venha superar esses traumas e que nossos jovens voltem a sonhar e não terem pensamentos de morte e autodestruição, precisamos de uma intervenção urgente, com uma equipe multidisciplinar e que venham psiquiatras que realmente queiram nos tratar e nos ver saúdaveis.

Que nossa alegria de viver volte e que quando eu tiver velhinha, olhe para nossas crianças com esperança que o nosso povo não só sobreviverá, como sobrevive muitos outros povos nativos. Queremos viver. Não queremos apenas resistir, queremos existir com dignidade".

Assine a petição:


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