quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Fortaleza: Levantando o debate sobre a Política Ambiental de RC

por Érica Pontes



Para saudar o ano de 2014, RC, lança "Política Ambiental para a Fortaleza Sustentável". Uma tentativa clara de "limpar a própria barra" diante das atrocidades perpetradas contra as cidadãs e cidadãos em luta pelo verde em Fortaleza, em 2013 (com destaque para o ‪#‎OcupeOCoco‬).

A política apresentada assemelha-se mais a uma colcha de retalhos das poucas praças e áreas de lazer (ainda) arborizadas que passam a ser regulamentadas, com "cara" de áreas verdes naturais. Parece mais a delimitação de enclaves maquiados de verde para valorização e especulação imobiliária do entorno (como Lago Jacarey, Parque das Iguanas e o próprio Adahil Barreto). Sem falar no Bioparque Passaré que inclui o "Morto" Municipal, cuja função de pesquisa e ação em prol da arborização urbana (com espécies nativas) foi totalmente exterminada, sendo substituída pelas ações de jardinagem, com jarros verde-amarelos em torno da Arena Castelão, no período da Copa das Confederações e só. Vale também destacar o Parque do Riacho Maceió: será que a Prefeitura não está, na verdade, regulamentando a compensação ambiental dos empreendimentos em obra da área? É preciso destacar também que a regulamentação do Parque Rio Branco não é mérito desta gestão e sim uma conquista do movimento ambiental da cidade, em especial do Movimento Pró-Parque Rio Branco, ao longo de anos de luta.

Ações pequenas e pontuais, espalhadas na cidade corroboram a tese de que esta política ambiental de RC não dialoga com a cidade. Mostra-se como uma simples e precária resposta frente ao desgaste da imagem desta gestão alcunhada de "Assassina do Cocó". 

É necessário muita cautela na análise destas regulamentações. Quais parques estão sendo regulamentados? Quais são as suas áreas territoriais? Quais demandas atendem? Há corredores ecológicos constituídos? Onde estão contempladas as bacias hidrográficas existentes na metrópole: Cocó e Maranguapinho? Estão sendo preservadas suas matas ciliares? E as áreas já degradadas serão recuperadas? E a resposta efetiva sobre a regulamentação do Parque do Cocó? Por que considerar como unidade de conservação possível uma APA (área de preservação ambiental), conhecidamente a mais frágil? 

Propomos o acompanhamento e cobrança desta política ambiental do governo RC que parece ser uma contradição em termos.




Devastação no Parque do Cocó para construção de viadutos.


Érica Pontes é Doutora em Geografia.



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