quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Passeata e Ato: Em defesa do Cocó, da Natureza, dos Direitos Humanos, da Liberdade e de uma nova Vida.



VENHA CANTAR JUNTO UM CANTO À VIDA,
ÀS LUTAS E CONQUISTAS DO POVO.


No dia 10 de dezembro comemora-se o Dia Internacional da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948. “Os direitos humanos são os direitos essenciais a todos os seres humanos, sem que haja discriminação por raça, cor, gênero, idioma, nacionalidade ou por qualquer outro motivo”. E ainda: “o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo” e que “o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que’’ homens e mulheres ‘‘gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração’’ dos seres humanos.

Queremos denunciar que o Brasil e demais países signatários ou apoiadores desse documento na prática já fizeram letra morta do que nele anunciam. Nesse dia, queremos fazer um canto novo pela vida, pela liberdade, pelo amor. Queremos celebrar as lutas vividas, as vidas doadas pela vida, as conquistas da caminhada dos andarilhos da utopia. Queremos, nas ruas e praças, fazer uma ciranda e de mãos dadas, com negros, índios, brancos, pardos, com todas as cores e matizes, unidos pelas lutas comuns, fazer brotar um novo amanhecer.

Não admitimos mais um modelo de sociedade com fundamento na lógica do capital/mercado/dinheiro que submete todos os povos do mundo a uma realidade em que seus direitos elementares são desrespeitados, resultando em atos de barbárie que continuam ultrajando a consciência da humanidade.

Queremos ecoar nosso grito de indignação contra os segmentos governamentais, empresariais, midiáticos, etc., internacionais, nacionais e, em particular, os locais, que impõem à sociedade um projeto de modernização capitalista que vem destruindo a natureza e a vida, acarretando catástrofes ambientais, pondo em risco todo o planeta terra. Não toleramos mais um desenvolvimento e progresso que reproduzem a lógica do sistema ferindo a dignidade das pessoas e causando fortes impactos negativos no modo de vida das populações tradicionais e em geral, tanto do sertão quanto do litoral.

Não admitimos mais a implementação de projetos destrutivos e contrários aos interesses da grande maioria da população utilizando-se da troca de favores, da corrupção, da aprovação de leis na tentativa de “legitimar” o ECO-GENOCÍDIO, da propaganda “OFICIAL”, paga com recursos públicos para manipular informações, ou a utilização da mão armada do ESTADO para reprimir os que ousam se manifestar e reagir contra essa destruição.

Não aceitamos que continuem a ocorrer práticas que colocam em jogo a humanidade e o planeta, desrespeitam a dignidade dos seres humanos e afrontam a liberdade, tais como:

- As ações e projetos dos governos municipal, estadual e federal que põem em causa parte significativa do Parque do Cocó e outras áreas, com a previsão da construção de pontes estaiadas, viadutos e edificações, acarretando sérios impactos ambientais. Projetos esses que visam atender os interesses de grupos empresariais e não asseguram novas formas de mobilidade urbana, em detrimento de alternativas que contemplam pedestres, ciclistas, transportes públicos e preservam os ecossistemas, a exemplo do Circuito Cocó;
- A ofensiva e perseguição contra os povos indígenas, suas terras e sua cultura, a negação de suas identidades e direitos constitucionais, a exemplo do Ceará, onde o Governo Cid Gomes e a iniciativa privada local e internacional ameaçam permanentemente as reservas indígenas dos Pitaguary, Jenipapo-Kanindé, Tremembé de São José e Buriti, Tapeba e outras comunidades.
- Grandes empreendimentos (Aquário, VLT/ remoções, etc.) de alto custo que não trazem benefício para o povo;
- Tratamento desumano e assassinatos de moradores da periferia, em particular o extermínio da juventude, principalmente pobre e negra;
- A não prioridade na utilização dos recursos públicos nas áreas de saúde e educação acarretando diariamente a morte de pessoas por falta de atendimento médico-hospitalar, bem como o descaso do governo com as Universidades Estaduais, em greve por melhores condições de trabalho;
- O agravamento da situação de várias localidades no interior, com escassez e falta d'água em função da seca e privatização da água e, principalmente, pela ausência de soluções duradouras, como construção de poços profundos, cisternas e outras medidas que evitariam o sofrimento e mortalidade do povo do sertão;
- A perda do direito de ir e vir em função da violência, dos assaltos, das drogas. Essas são ações estimuladas pela própria lógica do sistema através de setores poderosos que visam somente o lucro e propagam a lógica do TER/CONSUMO em detrimento do SER/VIDA.
- O machismo e o patriarcalismo, o racismo, a homofobia, a criminalização e violência contra os movimentos sociais e assassinato de lutadores(as) a exemplo de Carlinhos e Zé Maria do Tomé que continuam impunes;
- Repressão violenta às manifestações sociais em defesa de direitos e da liberdade, incluindo aqui ações humilhantes de vistorias a manifestantes;

Esses fatos refletem a grave situação que estamos vivenciando. A crise do sistema se aprofunda mundialmente apresentando sinais de decomposição. O colapso desse sistema tem acarretado a ampliação da barbárie e levado os seres humanos e o planeta terra à total destruição. Ou seja, ou superamos o sistema ou seremos dizimados.

Diante desse quadro desolador algo nos alenta. Sonhos florescem, desabrocham e ideias insurgentes, atos de rebeldia e indignação surgem com ímpeto. É com alegria que assistimos o aflorar do sentimento de que a defesa da vida, da natureza, de uma nova sociedade vale a pena. De que na luta, nas praças e ruas, na resistência, nos acampamentos, nas trilhas ecológicas, nas manifestações, a nossa alma se agiganta. De que uma paixão pela busca do novo dia encanta e se espraia. De que o entusiasmo se multiplica. De que os obstáculos podem ser superados. De que um NOVO MUNDO É POSSÍVEL, URGENTE E NECESSÁRIO, PARA ALÉM DO MODERNO SISTEMA PATRIARCAL PRODUTOR DE MERCADORIAS.

Vamos todos e todas, unidos (as), fazer avançar a caminhada na busca da emancipação social, de uma nova vida, de novas formas de convivência, de uma vida em harmonia com a natureza em que todas as pessoas possam viver com dignidade, liberdade, amor.

PASSEATA E ATO - 10/DEZ (TERÇA) – PRAÇA DO BNB
15:30 – CONCENTRAÇÃO
16:30 – CAMINHADA À PRAÇA DO FERREIRA

Entidades/movimentos que convocam:
#OcupeOcocó, Jubileu Sul Brasil, Grupo Crítica Radical, Instituto Ambiental Viramundo, CMP, Movimento Carlinhos Presente, União das Mulheres Cearenses, SINDUECE, ADUFC, Pastorais Sociais, Vereador João Alfredo - Presidente Comissão Direitos Humanos da Câmara; Deputada Eliane Novaes - Presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, RUMA, Rede Brasileira de Justiça Ambiental - RBJA, Instituto Terramar, MNDH, Comitê Popular da Copa, Rede de Catadores de Materiais Recicláveis do Estado do Ceará, RENAP, SOS COCÓ,MST, APOINME - Articulação dos Povos Indígenas do NE, MG, ES/Mr.-CE, COPICE - Coord. dos Povos Indígenas do Ceará, AMICE - Articulação das Mulheres Indígenas do Ceará, Fórum Permanente Pelo Passe Livre, Cedeca.

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Compartilhado por Cristina Fonseca

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