domingo, 20 de maio de 2012

Biomas Terrestres: Deserto


Deserto é uma região com irregular e baixíssimo índice de precipitação pluviométrica, tendo uma média anual variando entre 250 mm e 400 mm. Os desertos apresentam localização geográfica bastante variada se caracterizando por apresentar vegetação muito esparsa e com solos bastante áridos, compostos principalmente de areia e com presença de dunas. Os solos rochosos em algumas áreas demonstram a escassez de vegetação e o baixo desenvolvimento do solo. A principal característica de um deserto é a seca.

As terras mais baixas geralmente são constituídas por planícies cobertas com sal. A erosão eólica (provocada pela ação do vento), tem papel relevante nos processos de formação das paisagens nas áreas de desertos. No hemisfério Norte é possível se encontrar nos desertos, alguns arbustos distribuídos de modo bastante uniforme como se fizessem parte de plantações feitas regularmente. É o que se chama de “amensalismo”, ou seja, é a eliminação de indivíduos através de substâncias produzidas por outros vegetais quando esses crescem ao seu redor.

A vegetação é constituída por pequenos arbustos e gramíneas, sendo bastante ralas e espaçadas, normalmente encontradas debaixo de rochas e fendas no solo, onde ocorre a acumulação da baixa quantidade de água dessas regiões.  Os depósitos minerais podem ser abundantes e valiosos. A arqueologia pode ser privilegiada devido ao fato de serem locais extremamente secos, favorecendo a boa preservação de fósseis e artefatos produzidos pelo Homem.

Em conseqüência da escassez de chuvas, os desertos aparentemente não têm capacidade de sustentar vida, no entanto, uma análise mais detalhada mostra que os desertos podem abrigar uma grande variedade de espécies, que normalmente permanecem escondidas, durante o dia principalmente, para não perder a sua umidade natural. A fauna é composta predominantemente por roedores que captam a água do próprio alimento ingerido ou de gotas de orvalho, além de répteis (lagartos e serpente) e por insetos. 


A superfície terrestre é constituída por aproximadamente 20% de áreas desérticas.  Durante os dias as temperaturas em algumas dessas regiões podem oscilar entre 40 °C a 50 °C (no verão) e 15 °C (no inverno), podendo chegar abaixo de 0 °C. Estas variações muito bruscas (altas no verão e baixíssimas no inverno) fazem com que muitas pessoas não consigam resistir à vida nessas regiões de desertos.

A aridez extrema por si só não é uma condicionante exata para se descrever um deserto. Regiões geladas também podem ser consideradas como desertos desde que recebam menos de 250 milímetros de chuva por ano, como é o caso da Antártida e do Alasca. O grande diferencial para a identificação de um deserto é capacidade de evapotranspiração, que consiste na combinação de perda de água através do processo de evaporação atmosférica da água existente no solo, juntamente com a perda da água em forma de vapor, através de processos vitais das plantas.

Assim em regiões mais quentes a água pode evaporar em quantidades significativas, enquanto em regiões geladas a capacidade de evaporação é muito inferior, quase insignificante. Desse modo, apesar destas regiões frias, receberam pouca precipitação, não podem ser definidas, de modo simplista, como desertos.

Em algumas regiões do planeta, o surgimento de desertos decorre da existência de barreiras à chuva, quando massas de ar perdem grande parte da sua umidade ao passar sobre as cadeias de montanhas. De outro modo, a aridez extrema em outras áreas é decorrente do fato de se encontrarem distantes de fontes de umidade (principalmente nas médias latitudes, como ocorre no continente asiático).

Os ventos contra-alísios ocorrem em duas faixas do globo terrestre que são divididos pela linha do Equador. Eles se formam devido ao aquecimento do ar próximo à região equatorial. Quando os ventos secos dissipam a cobertura de nuvens, permitem que mais luz solar aqueça o solo. Nestas regiões cruzadas por ventos contra-alísios é onde se localizam a maioria dos grandes desertos do planeta Terra. O maior deserto da Terra é o Saara, localizado no norte da África. As maiores temperaturas já registradas no Saara ficaram na média de 50ºC, sendo este um deserto de ventos contra-alísios.

Os desertos de latitudes médias ocorrem entre os paralelos 30° e 50° N e no hemisfério Sul na mesma faixa, em zonas de alta pressão subtropicais e em bacias de drenagem distantes dos oceanos. Apresenta grandes variações nas médias anuais de temperaturas. Exemplos de desertos de latitudes médias: deserto de Sonora, no sudoeste da América do Norte e o deserto de Tengger, na China.

O deserto do Atacama, no Chile,  está localizado entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. A temperatura pode variar entre 40ºC até abaixo de 0 ºC no mesmo dia. É considerado o lugar mais seco da Terra. As rochas de areia são predominantes, com grande escassez de água na região. As chuvas não ultrapassam os 35 milímetros por ano.


A vegetação que se adapta as regiões desérticas possui de modo geral, um ciclo de vida relativamente curto. No período de chuvas as sementes germinam e seguem naturalmente o ciclo (crescer, florescer, frutificar, dispersar as sementes e morrer).  As plantas que são perenes, como por exemplo, os cactos, podem apresentar sistemas radiculares capazes de atingir áreas extensas. As raízes conseguem absorver as águas das rápidas e escassas chuvas, já que o armazenamento é muito grande formando aqüíferos. As folhas se transformam em espinhos e a fotossíntese passa a ser realizada pelo caule.

Para os seres humanos um deserto, além do ambiente extremamente hostil, pode ser mortal para pessoas que desejem enfrentá-lo sem preparo. Devido às altas temperaturas ocorre perda rápida de água no organismo através do suor. A deficiência de fontes de água para recuperar a grande quantidade de líquido perdido na transpiração pode acarretar em desidratação e morte em questão de poucos dias. A insolação é outro forte fator de risco.

Algumas culturas, apesar do ambiente aparentemente inóspito e hostil, conseguiram adaptar-se perfeitamente a essas regiões com seus extremos climáticos, muito quentes ou muito gelados, transformando essas regiões desérticas em seu habitat ao longo de milhares de anos, entre estes povos destacam-se: os tuaregues, os índios pueblos e os beduínos.

Os desertos podem ser classificados pela sua localização geográfica, bem como pelo padrão climático predominante (barreiras antichuvas, costeiros, polares, monção, ventos alísios e latitudes médias). Os paleodesertos são antigas áreas desérticas que ocorrem em regiões não-áridas. Outros desertos que se tem conhecimento são os existentes em outros planetas, denominados desertos extraterrestres.

Um deserto brasileiro - O Jalapão está situado a cerca de 300 km de Palmas, capital do estado de Tocantins, na região Norte do Brasil. Apesar de denominado deserto, o Jalapão é cortado por vários rios caudalosos de águas límpidas e belas cachoeiras. A vegetação deste deserto brasileiro é predominantemente constituída pela vegetação de cerrado baixo, formado por árvores de porte baixo e presença de veredas, onde os buritis se sobressaem. É considerado deserto em função da baixa densidade demográfica (1 hab/km²).

No Brasil o importantíssimo e exclusivo bioma Caatinga (presente na região Nordeste - nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Piauí, Alagoas e norte de Minas Gerais - na região Sudeste) sofre com a degradação ambiental (legado principalmente das monoculturas e do pastoreio extensivo, da construção desordenada de açudes e do equivocado sistema de irrigação que em muitas áreas elevou o grau de salinização dos solos). Todos esses fatores já destruíram cerca de 40 mil km² do bioma Caatinga, transformando estas áreas em deserto.

Os cinco maiores desertos da Terra

Deserto
Continente
Superfície (Km²)
Deserto da Antártida
Antártida
14.000.000
Deserto do Saara
África
  9.000.000
Deserto da Arábia
Ásia
  1.300.000
Deserto de Gobi
Ásia
  1.125.000
Deserto do Kalahari
África
     580.000


Fonte: www.nationalgeographic.com

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