sábado, 4 de fevereiro de 2012

Vulnerabilidade ambiental nas bacias hidrográficas de Fortaleza: Bacia do Cocó e Bacia do Ceará / Maranguapinho




A cidade de Fortaleza é drenada por quatro bacias hidrográficas: a Bacia do Rio Cocó; a Bacia do Ceará / Maranguapinho; a Bacia da Vertente Marítima e a Bacia do Rio Pacoti.  Neste artigo vamos tratar da situação de vulnerabilidade em que se encontram duas destas bacias: Cocó e Ceará / Maranguapinho.


BACIA DO RIO COCÓ


O Rio Cocó é conhecido como o maior sistema hídrico da cidade de Fortaleza. Tem início na serra da Aratanha, mas somente no bairro Ancuri em Fortaleza, recebe o nome de rio Cocó. Na cidade de Pacatuba e nos seus 50km de percurso passa pelos municípios de Maracanaú, Itaitinga e Fortaleza para desaguar no Oceano Atlântico, nos limites das Praia do Caça e Pesca e Sabiaguaba. Possui cerca de 29 afluentes na margem direita e 16 na esquerda, além de 15 açudes e 36 lagoas. Em seu percurso, nos municípios de Pacatuba e Itaitinga, seu leito é barrado pelo açude Gavião.

As pessoas que moram às margens do rio Cocó, que são terrenos do poder público e Áreas de Preservação Permanente, sofrem com o risco constante de inundações. Existe um sistema de drenagem, porém não é suficiente. As suas margens superiores foram tomadas por comunidades carentes que acabam levando lixo e esgoto para o rio, já que não dispõem de saneamento básico e coleta de lixo seletiva.


De acordo com dados divulgados recentemente pela SEMACE, a qualidade da água do rio Cocó já está comprometida em sete dos oito pontos monitorados entre os anos de 2009 e 2011. Foram considerados os seguintes requisitos:  

Qualidade da água:

  • O trecho mais afetado pela poluição situa-se onde o rio Cocó corta a Avenida Deputado Paulino Rocha em Fortaleza.
  • Os melhores índices da qualidade da água são encontrados na nascente do rio.

Fatores que mais contribuem para o atual estado de vulnerabilidade do recurso hídrico:

  • A ocupação desordenada em Área de Preservação Permanente (APP) com lançamento de efluentes domésticos;
  • O chorume proveniente do aterro do Jangurussu.
  • Avanço da especulação imobiliária.

Fontes poluidoras já autuadas pelas equipes de fiscais que fazem as vistorias:

  • Prefeitura Municipal de Fortaleza;
  • Lavajatos;
  • Condomínios
  • Extravasor de uma rede de esgoto que passa pelo rio Cocó e despeja resíduos quando aberta.

Nos trechos ainda preservados do seu manguezal com sua mata de mangue extremamente bela, podem ser encontradas diversas espécies de moluscos, aves, mamíferos, peixes, répteis e crustáceos. A destruição desses ambientes coloca em risco a possibilidade destas espécies fazerem a desova e a reprodução, perdendo assim o seu habitat natural.



BACIA CEARÁ / MARANGUAPINHO


O rio Maranguapinho tem sua nascente no município de Maranguape. Em seu percurso, num total de 34 km, cruza os municípios de Maranguape, Maracanaú, Fortaleza e Caucaia, é o maior afluente do rio Ceará. Durante a estação chuvosa (janeiro a junho), a bacia hidrográfica sofre a influência das variações pluviométricas. Por se encontrar muito próximo ao litoral e a serra de Baturité, na maior parte do seu curso apresenta clima tropical quente-úmido, já próximo a nascente o clima é tropical subquente úmido.

Os aspectos mais sensíveis ficam por conta da grande ocorrência de enchentes. Além dos fatores climáticos, que propiciam grandes volumes de precipitações na área das bacias hidrográficas, deve-se também serem levados em consideração, os fatores de cunho fiosiográficos, tais como declividade, tipos de solos, cobertura vegetal, etc.

Com o objetivo de remover duas mil famílias que viviam em áreas de risco e promover a recuperação ambiental e desassoreamento do rio Maranguapinho, em 2002 foi dado início às obras do projeto Boulevard Maranguapinho, que teve um investimento de cerca de R$ 30 milhões. Já no ano de 2010 foram investidos mais R$ 500 milhões do Governo Federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com contrapartidas do Governo do Estado. 

Fatores sensíveis a considerar:

  • Grandes volumes de chuvas;
  • Ocupação desordenada (utilização indevida das áreas de várzeas, calhas dos rios);
  • Desmatamento das cabeceiras, nascentes dos rios;
  • Lançamentos de efluentes: domésticos e industriais;
  • Avanço da destruição sobre os manguezais.


Apesar dos projetos desenvolvidos ao longo do curso do rio, ainda está longe de serem efetivamente solucionados os graves problemas deste recurso hídrico. Outros fatores que tornam sensíveis a área desta bacia são o desmatamento e a ocupação desordenada nas áreas de várzeas.  Estes fatores conjugados promovem o assoreamento do leito dos rios. A ação antrópica é, sem dúvida, o principal motivo das inundações durante as estações chuvosas nas bacias do Cocó e Ceará / Maranguapinho.

Relatório da pesquisa de campo - 21 de janeiro de 2012
Disciplina: Planejamento Urbano e Ambiental - UECE 


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